Copaifera langsdorffii (Copaíba)

Texto produzido pela Acadêmica Ticiane Rossi
Supervisão e orientação do Prof. Luiz Ernesto George Barrichelo e do Eng. Paulo Henrique Müller
Atualizado em 25/06/2008

Taxonomia

Divisão: Magnoliophyta (Angiospermae)
Classe: Magnoliopsida (Dicotiledonae)
Ordem: Fabales
Família: Caesalpiniaceae (Caesalpinioideae, Leguminosae)
Espécie: Copaifera langsdorffii Desfontaines; Mém. Mus. Paris 7: 377, 1821.
Sinonímia botânica: Copaifera grandiflora (Bentham) Malme; Copaifera nitida Hayne
Nomes comuns: copaíba, bálsamo, caobi, capaíba, capaúba, coopaíba, copaí, copaíba preta, copaíba da várzea, copaíba vermelha, copaibeira, copaibeira de minas, copaúba, copaúva, capiúva, oleiro, óleo, óleo amarelo, óleo capaíba, óleo copaíba, óleo pardo, óleo vermelho, óleo de copaúba, pau óleo, pau de óleo, pau de copaíba,pau óleo do sertão, podoi, copaibo, cupay, kupay, copaíba da várzea, cupaúva, cupiúva, óleo de copaíba, pau d´óia, pau óleo de copaíba de copaíba (Carvalho, 2003).

Descrição

É uma planta decídua a semidecídua, heliófita, seletiva xerófita, com 5 a 15 m de altura e 20 a 60 cm de DAP (LORENZI, 2000). O tronco é cilíndrico, tortuoso e geralmente curto. A copa é densa, globosa e ramificação racemosa. A casca, de coloração avermelhada (jovem) e marrom (adulta), apresenta 17 mm de espessura, sendo que a casca interna, rosada, exala resina de sabor amargo.

As folhas são compostas, alternas, paripinadas, com folíolos medindo 4 a 5 cm de comprimento e 2 a 3 cm de largura. A folhagem nova, cor rosa-clara é muito decorativa e importante para identificação.

As flores estão dispostas em inflorescência paniculadas, terminais, multiflorais com média de 125 flores. As flores são hermafroditas, branco-esverdeadas, medindo 0,5 cm de diâmetro. As pétalas são ausentes e o cálice é formado por quatro sépalas livres. Têm odor intenso, doce e suave desde a abertura, possuem néctar e são efêmeras apresentando senescência a partir do segundo dia (FREITAS & OLIVEIRA, 2002).

O fruto possui 4 a 5 cm de comprimento por 2 a 3 cm de largura, é uma vagem seca, unispermo, deiscente, estipitado, de coloração vermelha (jovem) e marrom (maduro).

A semente tem 10 a 19 mm de comprimento por 7 a 10 mm de largura, apresentando coloração marrom, de formato elipsóide, envolta parcialmente por um arilo alaranjado. As sementes têm, armazenadas no cotilédones reservas amilóides, proteínas e óleos em abundância (CRESTANA & BELTRATI, 1988).

Figuras extraídas de LORENZI (2000) e Trilhas da ESALQ http://www.esalq.usp.br/trilhas/lei/lei07.php

Fenologia e Reprodução

A floração ocorre em geral, no período mais quente e úmido, entre os meses de outubro a março e a frutificação entre julho a outubro, coincidindo com a época de maior perda de folhas.

É uma planta hermafrodita de reprodução mista, apresentando índice de auto-incompatibilidade de 0, 09, o que indica uma espécie fortemente auto-estéril (FREITAS & OLIVEIRA, 2002). As abelhas e vespas são vetores de polinização, enquanto a dispersão dos frutos é hidrocórica e zoocórica, realizada por aves, macacos.

Aspectos Ecológicos

A copaíba é uma espécie secundária tardia a clímax, caracterizando-se como espécie heliófita tolerante a sombra. Pode ser encontrada em vários estágios de sucessão, desde áreas totalmente degradadas até aquelas com dossel em fechamento (SALGADO et al, 2001). É uma árvore longeva e ocorre em regiões fitoecológicas distintas, tais como: Cerrado, Cerradão, Caatinga, Floresta Estacional Semidecidual, Decidual, Ombrófila Densa, na formação Aluvial, Montana e Submontana, na Campinarana e nos campos rupestres.

Áreas de ocorrência

A latitude é de 2º S a 24º S nas latitudes de 15 m a 1.600 m. Ocorre no nordeste da Argentina, sul da Bolívia, norte do Paraguai e no Brasil, em todos os estados das regiões Sudeste e Centro-Oeste e nos estados da Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia e Tocantins (CARVALHO, 2003).

Clima e Solos

A Copaifera langsdorffii ocorre em uma grande variação edafoclimática entre os tipos climáticos: tropical (Af e Aw), subtropical (Cfa), temperado úmido (Cfb) e subtropical de altitude (Cwa e Cwb). A precipitação média é de 800 mm a 2400 mm, em locais com chuvas distribuídas ao longo do ano ou apenas concentradas no verão, podendo suportar forte a nula deficiência hídrica. As temperaturas médias variam entre 17ºC a 27ºC, com número de geadas médio a pouco freqüentes (CARVALHO, 2003). Ocorre naturalmente tanto em solos férteis bem drenados, como terrenos úmidos de matas ciliares, como em solos pobres do Cerrado.

Produtos e Utilizações

Madeira

A madeira de Copaifera langsdorffii é moderadamente densa (0,7 g cm-3), grã direita ou irregular, superfície lustrosa ou lisa ao tato, medianamente resistente, com média a alta resistência natural, apresentando defeitos de empenamento durante a secagem, com alburno diferenciado. A madeira serrada pode ser utilizada para: construção civil, peças torneadas, coronhas de armas, cabos de ferramentas, cabos de vassoura, implementos agrícolas, carroçarias, miolo de portas, marcenaria em geral, móveis inferiores, tabuados em geral, revestimentos, laminação, torneados, folhas para compensados e construção naval. Para energia, a madeira de copaíba produz lenha de qualidade irregular e, devido ao alto teor de lignina é indicada para carvão.

Óleo-resina

A óleo-resina de Copaifera langsdorffii é extraído do tronco, podendo ser utilizado, in natura como combustível para motores diesel e também na medicina popular como anti-séptico, cicatrizante, expectorante, diurético, laxativo, estimulante, emoliente e tônico. A óleo-resina de copaíba contém até 15% óleos voláteis do petróleo, o restante são resinas e ácidos. Os ativos responsáveis pela atividade biológica são aos sesquiterpenos (mais de 50% da óleo-resina), diterpenos e ácidos terpênicos. É a maior fonte natural conhecida de cariofileno (importante antiinflamatório) (RAIN TREE, 2008). Outro constituinte importante é ácido caurenóico, um diterpeno que possui estudos comprovados nas ações antiinflamatórias, diurética e efeitos in vivo e antimicrobianos, relaxante muscular e ações citotóxicas in vitro (CAVALCANTI et al, 2006; PAIVA et al, 2004; COSTA-LOTUFO, 2002; PAIVA et al, 1998).

Outros usos

 Pela presença de néctar, é indicada para produção de mel, sendo que apenas uma flor possui cerca de 2 microlitros de néctar (FERREIRA & OLIVEIRA, 2002). Pode ser utilizada também em arborização urbana, bem como reflorestamento para recuperação ambiental. Recomenda-se que o plantio de mudas de copaíba em ambientes de clareira, havendo mais ganho de matéria seca total e de sistema radicular (SALGADO et al, 2001).

Sementes e Produção de Mudas

Coletam-se os frutos jovens, de coloração avermelhada, pois se observa menor conteúdo de cumarina (substância inibidora da germinação) nas sementes, para posterior amadurecimento durante a armazenagem (BARBOSA et al, 1992). A maturidade fisiológica das sementes, no entanto, ocorre apenas quando os frutos secos se abrem e expõe as sementes de coloração marrom-escura. As sementes devem ser colocadas para secar após a extração do arilo. O número de sementes por quilo é de 1.720 (LORENZI, 2000). As sementes de Copaifera langsdorffii apresentam dormência ocasional que pode ser superada por diversos métodos: imersão em água fria por 18 a 72 horas; imersão em ácido sulfúrico 98% por três a dez minutos; escarificação mecânica (com lixa, areia ou pedras de carboneto de silício); imersão em éter por 20 minutos e estratificação em areia úmida por 15 dias (BORGES et al, 1982; BEZERRA et al, 2002). Após o tratamento pré-germinativo, a testa entumescida das sementes se rompe e estão aptas para serem semeadas (CARVALHO, 2003). Sem tratamento pré-germinativo para superar a dormência, as sementes apresentam germinação de 12 a 59% e com tratamento de até 81% (BORGES et al., 1982). As sementes da copaíba podem ser conservadas a longo prazo em câmara seca e fria. Para armazenamento das sementes nessas condições, as sementes podem manter o poder germinativo durante 5 anos em embalagens hermeticamente fechadas (FERREIRA, et al, 2001). A propagação da copaíba é realizada por sementes, pois as estacas são difíceis de enraizar. O tamanho da semente é um indicativo do vigor das plântulas (BEZERRA et al, 2002). As sementes devem ser colocadas para germinar em sementeiras, para posterior repicagem, ou em sacos de polietileno grandes ou tubetes médios. A germinação pode ocorrer de uma a 8 semanas após a semeadura e as mudas estarão prontas para plantio com 9 meses.

Pragas e doenças

Pode-se observar no campo e no viveiro que Copaifera langsdorffii é imune a ataques de formigas e rebrota com facilidade (SALGADO et al, 2001). No entanto, a copaíba pode ser atacada por cupins.

Em parcelas de regeneração natural, se observou fungos atacando plântulas, embora não foram limitantes ao seu crescimento em condições de campo, porém, este ataque ocorre em todos os regenerantes da espécie (CARVALHO, 2003).

Silvicultura

Copaifera langsdorffii é espécie heliófita tolerante a sombra tolera medianamente baixas temperaturas e geadas. Apresenta crescimento simpodial, com fuste principal não claramente evidenciado, apresentando muitas bifurcações e ramificações laterais. Sua desrama natural é deficiente, necessitando de poda freqüente e periódica de condução e dos galhos (CARVALHO, 2003). A copaíba pode ser plantada em plantio misto a pleno sol, associado com espécies pioneiras (KAGEYAMA et al., 1990). Brota da touça e das raízes após o corte. O desenvolvimento das mudas e plantas é lento no campo, não ultrapassando 2 m em dois anos. (LORENZI, 2000). A produtividade volumétrica máxima obtida em plantios foi de 6,60 m3/ha/ano aos 14 anos de idade. O espaçamento médio utilizado é de 2 x 2 m, onde a porcentagem média de plantas vivas é 70% e, em sistemas agroflorestais, recomenda-se espaçamento de 4 a 5 m entre árvores. (CARVALHO, 2003).

Referências Bibliográficas

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