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Edição 60 – 18 de abril de 2013_

PROTEF atua na importação de
parasitoide para a vespa-da-galha

Leptocybe invasa, popularmente conhecido como a vespa-de-galha do eucalipto, é uma espécie da ordem Hymenoptera e da família Eulophidae, nativo da Austrália, com tamanho aproximado em 1,4 mm, de coloração marrom escura a verde metálica.  Apesar do recente destaque na mídia, essa praga do eucalipto já é estudada desde 2008 pelo grupo de pesquisadores do Programa Cooperativo em Proteção Florestal (PROTEF) do IPEF, em seu Projeto de Manejo de Pragas Exóticas do Eucalipto (PCMPEE). Este projeto conta com a importante participação de pesquisadores da UNESP – Campus de Botucatu, Embrapa Florestas, Embrapa Meio Ambiente, Universidade Federal de Viçosa, além do próprio PROTEF.

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Adulto da vespa-da-galha

A principal forma de reprodução desta espécie é por partenogênese telítoca, que se resume em fêmeas que geram novas fêmeas, o que leva a um crescimento populacional enorme. Os registros de machos desta espécie são raros.

A primeira detecção dessa praga no Brasil foi ao final de 2007, em mudas produzidas em viveiro florestal de pesquisa no norte da Bahia. Parte deste material foi enviado ao laboratório de Entomologia Florestal da Esalq/USP. Em abril de 2008, foi observada a emergência de pequenas vespas quando o material foi então enviado ao Instituto Biológico, sendo identificado como Leptocybe invasa. Nesta mesma época, o PROTEF realizou um “alerta” a respeito da ocorrência da praga.

A vespa-de-galha ataca as folhas, tanto na nervura central como os pecíolos, e caules jovens, formando galhas. Essas galhas causam desde a deformação das folhas, quando presentes na nervura central e pecíolo, como desfolha, superbrotamento e secamento de ponteiros em altas infestações. As galhas são formadas devido a uma toxina presente no ovipositor das fêmeas, que causa hiperplasia celular, levando ao bloqueio do fluxo normal da seiva e, consequentemente, à queda das folhas. Esses danos podem levar a parada de crescimento de mudas e árvores, podendo comprometer a produtividade das plantações de eucalipto. As espécies mais suscetíveis são Eucalyptus camaldulensis, E. saligna, E. globulus, E. grandis e clones híbridos de E. camadulensis x E. grandis.

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Danos de Leptocybe invasa em ramos de Eucalyptus camaldulensis X E. grandis

Os principais danos são causados em mudas nos viveiros florestais, pois afetam sua qualidade, além de representar risco de disseminação da praga em regiões ainda isentas. No campo, os danos são significativos em plantios novos, com idade de até dois anos. Estudos para definição de susceptibilidade e preferência de clones de eucaliptos também tem sido realizados, trazendo informações importantes para indicar os materiais genéticos resistentes.

Em uma recente ação do grupo PCMPEE, foi enviado um pedido ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) para importação do parasitoide da vespa-de-galha, o Seletrichodes neseri, da África do Sul. Esta importação compõe parte da parceria pioneira desenvolvida pelo IPEF e o BiCEP (Centro de Controle Biológico de Pragas do Eucalipto), sediado na Austrália. Dentro deste Centro, que possui como membros principais a Austrália, Brasil e África do Sul, o IPEF foi convidado como representante brasileiro. Espera-se que, com a liberação da importação e consequentes estudos sobre o parasitoide e sua ação sobre a vespa, possa-se caminhar para um efetivo controle desta praga, a exemplo dos estudos que vem sendo realizados com o percevejo bronzeado e seu parasitóide.

Recentemente o PROTEF disponibilizou um folder com informações sobre a vespa-da-galha com o objetivo de informar produtores florestais sobre a praga. Mais informações sobre o PROTEF podem ser obtidas no site do IPEF, em http://www.ipef.br/protef/.

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