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Edição 71 – 19 de fevereiro de 2014_

Publicado o zoneamento climático
detalhado do Brasil

A idéia de se classificar as regiões e os tipos de clima vem da antiga Grécia, e desde então muitas metodologias foram desenvolvidas. Mas foi no final do século XIX, em 1884, que o russo Wladimir Köppen desenvolveu o primeiro sistema quantitativo de classificação climática mundial. Köppen publicou seu doutorado sobre temperatura e crescimento de plantas em 1871. Mesmo tendo passado todos esses anos o seu sistema de classificação climática é ainda amplamente usado na silvicultura, agricultura, ecologia, botânica, geografia, hidrologia, e ciências naturais em geral.

Atualmente, a existência de maior quantidade de dados climáticos, hardwares mais eficientes, softwares como os sistemas de informação geográfica, e considerando o aumento da fragmentação das paisagens naturais, agrícolas e urbanas, justificam a reconstrução da classificação climática numa escala mais fina. Assim, considerando a utilidade do sistema de Köppen e sua ampla aplicação no Brasil, o desenvolvimento de um detalhado mapeamento foi delineado para elaborar um mapa de classificação climática na resolução de 100 m (1 ha).

Para atingir esses objetivos, os autores Clayton Alcarde Alvares (Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais – IPEF / Forest Productivity Cooperative - FPC), José Luiz Stape (North Carolina State University), Paulo Cesar Sentelhas (Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" / Universidade de São Paulo - Esalq/Usp), José Leonardo de Moraes Gonçalves (Esalq/Usp) e Gerd Sparovek (Esalq/Usp) desenvolveram um sistema de informação geográfica para identificar os tipos climáticos no Brasil com base na temperatura e precipitação mensal de 2.950 estações meteorológicas espalhadas pelo país, além de assegurar a perfeita reprodução dos critérios que definem cada um dos tipos climáticos.

O novo mapa climático obtido destacou os diferentes climas de Köppen encontrados nas paisagens brasileiras (851.487.700 ha). Foram identificadas três zonas climáticas no Brasil (A, 81,4%; B, 4,9% e C, 13,7%) onde foram descritos os seguintes tipos climáticos: Af, Am, Aw, As, Bsh, Cfa, Cfb, Cwa, Cwb, Cwc, Csa, Csb. Os autores apresentaram e discutiram os resultados como mapas, gráficos, diagramas e tabelas, permitindo assim aos leitores interpretarem a ocorrência dos tipos climáticos no Brasil.

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Dentre inúmeras aplicações práticas que o novo zoneamento proporcionará, destacam-se as seguintes: i) ser uma referência na definição dos tipos climáticos do Brasil; ii) uso na recomendação de espécies/procedências/clones de espécies de reflorestamento e agricultura em geral; iii) estimativa de produtividade potencial destas espécies; e iv) na recomendação de tipologia florestal para restauração florestal. Especificamente no caso do IPEF, os projetos TECHS, PPPIB e PROTEF já possuem estudos que o utilizarão imediatamente.

O artigo foi publicado como open access (sua circulação é livre) e o mapa em alta resolução (raster file) estará disponível para download no site do IPEF (http://www.ipef.br/geodatabase) a partir de 1º de março de 2014.

Finalmente, foi uma grande coincidência que este trabalho foi publicado na mesma revista científica (Meteorologische Zeitschrift) que Köppen publicou seu primeiro trabalho sobre o zoneamento climático em 1884 (há exatamente 130 anos atrás). O artigo pode ser encontrado em http://www.ingentaconnect.com/content/
schweiz/mz/pre-prints/content-507_Alvares_ingenta

Publicado exclusivamente via eletrônica, o IPEF Express não possui periodicidade definida e visa agilizar a divulgação de notas e informações da Diretoria, Coordenadorias do IPEF, seus Programas Cooperativos e atividades correlatas.


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