Programa Cooperativo sobre Produtividade Potencial do Pinus no Brasil

Atualmente há cerca de 2 milhões de hectares de Pinus plantados no Brasil, com produtividades médias variando de 18 a 28 m³/ha/ano, havendo, porém, sítios e manejos em que esta produtividade ultrapassa os 40 m³/ha/ano. Esta grande variabilidade, per si, já sinaliza um potencial de ganho de produtividade, desde que se identifiquem os fatores que as restringem, os quais podem ser de caráter técnico (genótipos e nutrição) ou operacional (qualidade de preparo de solo, plantio e tratos culturais).

Além disso, a cultura do Pinus vem se diversificando em termos de espécies, procedências e clones, e expandindo suas áreas de plantio, formas de manejo (preparo de solo, adubação, espaçamento e desbastes). Mais do que nunca, os plantios de Pinus são efetivamente produtores de multi-produtos, como a produção de madeira para fibras (celulose, chapas e MDF), para serraria (diferentes bitolas), produtos sólidos, resina e resíduos, que vêm sendo utilizados como biomassa ou substratos orgânicos.

Para aprimorar de forma rápida e eficiente o conhecimento sobre a cultura do Pinus, em termos de produção e sustentabilidade, constituiu-se em 2006 o PPPIB (Produtividade Potencial de Pinus no Brasil) congregando esforços de diversas empresas florestais que atuam no manejo de florestas de Pinus. Atualmente, o projeto é composto por 7 empresas florestais: Arauco, Arborgen, Caxuana, Juliana, Klabin, Masisa, Rigesa, Renova, além da North Carolina University (Raleigh, USA) e da própria Universidade de São Paulo, com sua estação experimental de Itatinga, SP.

Os projetos estabelecidos visam estudar os processos que controlam o crescimento do Pinus subtropical (Pinus taeda) e tropical (Pinus caribaea var. hondurensis), a nível de folha, árvore e povoamento, sob efeito de diferentes regimes hídricos, regimes nutricionais, sistemas de manejo (sem e com desbaste) e qualidade operacional (estratificação de plantio). No entanto, o PPPIB, também investiga as questões relativas às interações destas florestas com o meio-ambiente, no tocante à sustentabilidade da produção e sua associação com o uso e eficiência do uso dos recursos naturais, notadamente água e nutrientes. Todas estas questões foram estruturadas de forma a serem respondidas utilizando-se delineamentos experimentais e localizações apropriadas.

Assim, nos anos de 2007 e 2008, foram consolidadas as implantações dos três delineamentos experimentais que norteiam o programa:
Delineamento 1: Áreas experimentais de fertilização, irrigação e manejo;
Delineamento 2: Parcelas Gêmeas de fertilização e manejo;
Delineamento 3: Área experimental de estratificação/dominância com plantio clonal.

Distribuição dos sítios experimentais
Distribuição dos sítios experimentais instalados pelo projeto Produtividade Potencial do Pinus no Brasil em 2007

Histórico

A partir de 2005 empresas de Pinus contactaram o IPEF em prol do estabelecimento de pesquisa nos aspectos relacionados às limitações da produtividade florestal (edáficas ou climáticas), seu manejo e a garantia da sustentabilidade dos plantios deste gênero em condições subtropicais e tropicais do país. Após 2 reuniões preparatórias, em julho e novembro de 2005, em Arapoti e Telêmaco Borba, PR, consolidou-se o PPPIB em janeiro de 2006.

Assim, o PPPIB ficou composto por empresas florestais ou de tecnologia, que possuem ao todo cerca de 300.000 ha de Pinus plantados nos Estados do PR, SC, SP e MG e 1 empresa de biotecnologia. Os integrantes atuais do PPPIB são: Arauco, Arborgen, Caxuana, Juliana, Klabin, Masisa, Rigesa e Renova, além da NCSU e USP com sua Estação Experimental.

Em 2008, realizou-se a sua IV Reunião Anual, e consolidaram-se os 3 delineamentos experimentais e suas metodologias científicas. Nestas reuniões, houve a participação de pesquisadores e palestrantes da USP, das empresas, e de outras instituições de pesquisa como o USDA Forest Service, a Universidade Federal do Paraná e Embrapa Florestas, mostrando o potencial de interação do programa. Após a consolidação do projeto, o PPPIB tem realizado reuniões anuais para a discussão dos resultados e andamento de todos os delineamentos instalados.

Além das reuniões anuais, o projeto PPPIB realizou, entre maio e junho de 2011, sua primeira Viagem Técnica ao Sudeste dos EUA, visitando quatro universidades e diversas áreas de plantios comerciais e experimentais de Pinus, localizados no sudeste dos Estados Unidos (Alabama, Georgia, Flórida, Carolina do Sul, Carolina do Norte, Virginia). Onde ocorreu uma grande interação entre o os membros do PPPIB e pesquisadores e profissionais americanos.

Objetivos

O PPPIB foi concebido como um projeto que busca compreender e quantificar os processos que controlam a produtividade do Pinus e suas interações com o ambiente, e possui 4 grandes objetivos:
Objetivo Produtividade: Estimar a produtividade potencial e a eficiência do uso de recursos (água, luz e nutrientes) para 1 espécie subtropical (P. taeda) e 1 espécie tropical (P. caribaea var. hondurensis) de Pinus no Brasil;
Objetivo Carbono: Determinar o efeito do regime hídrico, nutricional e manejo no balanço, alocação e estoque de C nas florestas de Pinus;
Objetivo Estrato: Testar como a estrutura e dominância em um povoamento afeta a sua produtividade (fibra, sem desbaste, pulpwood x sólida, com desbaste, utility) e plantio clonal uniforme e heterogêneo;
Objetivo Fotossíntese: Caracterizar as taxas de fotossíntese e suas variações por efeitos genéticos, climáticos e edáficos.

Para atender tais objetivos, uma rede experimental, com 3 delineamentos básicos foi discutida e estabelecida, conforme citado anteriormente.

Em termos metodológicos, as determinações do balanço de carbono serão feitas através do método de estimativa da Produtividade Primária Bruta (GPP) pela soma dos seus constituintes: Produtividade Primária Líquida da Parte Aérea (ANPP) + Respiração da Parte Aérea (R) + Total de C Alocado na Raiz (TBCA). As eficiências quânticas serão determinadas com base na luz fotossinteticamente ativa interceptada e campanhas de fotossíntese.




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