ALERTA PROTEF

Murcha e cancro de Ceratocystis

Prof. Edson Luiz Furtado - Patologia Florestal
FCA/UNESP - Campus de Botucatu
04/07/2005

Nos dirigimos a todas as empresas associadas ao IPEF, para um alerta fitossanitário acerca de ocorrência crescente do cancro e murcha do eucalipto causado pelo fungo Ceratocystis.

Antecedentes

• 1940 – Murcha ou seca da mangueira - SP
• 1969 – Seca da figueira – Valinhos-SP
• 1986 – Cancro em Gmelina arborea Monte Dourado – PA (Dianese, 1986);
• 1999 – Cancro do eucalipto - Sul da BA (Ferreira, 1999);
• 2004 – Podridão negra do inhame – SP (Harrington & Furtado, 2005)
• 2004/2005 – Murcha do eucalipto - Região de Bauru e Itapetininga – SP (Poucas plantas); Curvelo-MG (clone muito atacado), Porto Seguro (Furtado, n.p.)

Ceratocystis em São Paulo

• Projeto Iowa: Vinda de pesquisadores para o Brasil no período 2000-2002:
Cravinhos = Figo
Monte Alto e Catanduva = manga
Piedade e Tapiraí: inhame
Obs. Não observado em eucalipto no Estado de São Paulo

Primeira detecção em eucalipto no estado de SP: abril (2004): Guareí (E. grandis)
Julho (2004): São Manoel (E. grandis)
Maio (2005): Lençois Pta. (Urograndis) e junho (2005): Bofete

Ceratocystis fimbriata (= Chalara sp. = Thielaviopsosis sp.)

Sintomas no campo
• Morte de ponteiros, cancros, descoloração do lenho e murcha vascular;
• mortalidade de plantas no sentido da linha de plantio;
• Pode ser disseminado por mudas infectadas;
• Presença de descoloaração radial no tronco


Transmissão e disseminação
• Plantas nativas infectadas;
• Solo infestado
• Mudas infectadas;
• Equipamentos de corte infestados;
• Contato de raízes entre plantas e com solo contaminado;
• Insetos vetores (escolitídios)

Controle
• Destruição de plantas doentes com sistema radicular;
• Plantio de clone resistente;
• Desinfestação dos equipamentos de corte;
• Não usar cepas de árvores infectadas para clonagem
• Verificar as mini-touças e retirar as plantas suspeitas
• Usar fungicidas específicos no enraizamento ;
• Higiene e limpeza da estufa de enraizamento;
• Elevação dos canteiros de mudas do solo;
• Inspeções constantes;

Diagnose
• Plantas no campo
• Visualização de sintomas de necrose foliar e murcha ou morte das plantas;
• Decepar o tronco a 0,5 m de altura, acima do solo, verificar o escurecimento radial do lenho+vasos;
• A diferença da murcha bacteriana é que não haverá exsudação de pús.

Diagnose em material assintomático (sem sintomas);

Isolamento e microscopia;
• Coletar mudas e parte do ramo principal de jardim clonal;
• Isolamento em meio de cultura;
• Colocar fragmentos em discos de cenoura (“iscas”)
• Visualização ao microscópio

Uso de marcadores moleculares (em desenvolvimento)
• Coletar mudas e parte do ramo principal de jardim clonal;
• Otimização de método de extração de DNA;
• Identificação de primers específicos; amplificação;
• Caracterização das bandas específicas para o fungo.

Nota Importante

Caso haja suspeita de ocorrência de murcha ou cancro de Ceratocystis em mudas ou plantas no campo, fazer a verificação da descoloração do lenho, fazer contato e enviar material para:

Prof. Dr. Edson Luiz Furtado
Depto. de Produção Vegetal - C.P. 237
FCA/UNESP - Campus de Botucatu
18603-970 - Botucatu - SP
E-mail: elfurtado@fca.unesp.br




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