Indicações para escolha de espécies de Pinus

Texto produzido pela Acadêmica Giovana Beatriz Theodoro Marto
Supervisão e orientação do Prof. Luiz Ernesto George Barrichelo e do Eng. Paulo Henrique Müller
Atualizado em 05/09/2006

Nos últimos anos a utilização de Pinus na indústria madeireira brasileira tem sido crescente. As estimativas indicam que 35% do volume de madeira serrada produzida é formado de madeira desse gênero e no país existem, aproximadamente, 1,5 milhões de hectares de plantações. Portanto, tratam-se de espécies fundamentais para o fornecimento de matéria-prima, com destaque as Regiões Sul e Sudeste (BALLARIN & PALMA, 2003). Porém, apesar da demanda, a indústria madeireira está preocupada com a progressiva diminuição da sua oferta. O problema ainda não atinge as grandes empresas do setor afetando as pequenas, incapazes de manter vastas áreas próprias para reflorestamento (LOETZ,2003).

O estabelecimento e o manejo de florestas plantadas com Pinus vem possibilitando o abastecimento de madeira que, anteriormente, era suprido com a exploração da araucária. Essa prática é importante para ecossistemas florestais nativos, pois vem suprindo uma parcela cada vez maior da necessidade atual de madeira (SHIMIZU & MEDRADO). As condições de adaptação do Pinus aos solos ligeiramente ácidos, que constituem a grande maioria dos solos do país, permitiram a implantação de extensas áreas que, juntamente coma adoção de práticas silviculturais adequadas, tornam as espécies deste gênero importante fonte de matéria-prima, proveniente de florestas estabelecidas dentro dos padrões de sustentabilidade (KRONKA et all, 2005).

A floresta de Pinus é diferenciada pelo seu “multi-uso” porque, após o corte, sua madeira pode ser destinada à indústria laminadora, que a utiliza para fabricação de compensados; para a indústria de serrados, que a transforma em madeira beneficiada ou é convertida em móveis; para a indústria de papel e celulose; para a indústria de MDF e, mesmo o seu resíduo, tem sido aproveitado como biomassa para geração de vapor e energia (CARGNIN,2005).

Na área de papel e celulose, que só trabalha com árvores de reflorestamento, o Pinus representa 30% das plantações. Ele é importante porque contribui com as fibras longas, imprescindíveis na fabricação de papéis, que exigem maiores resistências e melhor absorção de tinta (AGROPAUTA).

No caso dos compensados, estas espécies são responsáveis por 61% do volume anual produzido. Estima-se que aproximadamente 3,15 mil empresas no Brasil utilizam Pinus nos seus processos produtivos (VITAL,2005).

O potencial silvicultural das espécies de Pinus no Brasil é um fator fundamental para a sustentação do parque industrial madeireiro, sendo as mais plantadas e industrializadas o Pinus elliottii Engelm. e P. taeda. No entanto, existem muitas outras espécies de Pinus com grande potencial de utilização, que devem ser objetos de pesquisa tecnológica (IWAKIRI et al.).

Apesar desta grande potencialidade, no Brasil poucas são as pesquisas sobre as características e a qualidade da madeira de Pinus. Os poucos estudos existentes, em geral orientados mais para o setor de papel e celulose, são de pouca aplicabilidade na indústria de transformação mecânica da madeira.

Deve-se ressaltar que algumas espécies do gênero Pinus apresentam boa adaptação ecológica em diferentes condições edafoclimáticas existentes no Brasil. Dessa maneira conseguem reproduzir, propagar e se desenvolver naturalmente em condições de pequena competição com a vegetação local. Para contornar possíveis problemas com essa característica do gênero é importante o correto manejo e a escolha adequada da área e das espécies o que é comumente feito nas principais empresas do setor que trabalham com esse gênero.

A escolha da espécie ideal é fundamental para eficiência e eficácia do plantio, portanto deve-se levar em consideração a finalidade e aspectos gerais do local, como clima, solo, entre outros.

Espécies de Pinus indicadas em função do uso

Arborização, parques e jardins: P. caribaea, P. elliottii, P. kesiya, P. montezumae, P. oocarpa, P. pinea, P. pseudostrobus, P. radiata, P. roxburghii, P. strobus, P. taeda, P. tecunumanii e P. virginiana

Celulose: P. caribeae, P. taeda, P. maximinoi, P. patula, P. kesiya, P. pseudostrobus, P. tecunumanii, P. virginiana, P. strobus e P. echinata

Caixotaria: P. kesiya, P. pinea e P. virginiana

Construções: P. elliottii, P. kesiya, P. palustris, P. radiata, P. sylvestris, P. taeda, P. tecunumanii e P. wallichiana

Dormentes: P. palustris e P. taeda

Estacas e moirões: P. elliottii, P. caribaea var hondurensis, P. oocarpa, P. kesiya e P. pinea

Laminação: P. taeda, P. elliottii, P. strobus, P. caribaea, P. chiapensis, P. maximinoi, P. oocarpa e P. tecunumannii

Lenha e carvão: P. caribaea var hondurensis, P. caribaea var bahamensis, P. oocarpa e P. roxburghii

Móveis: P. taeda e P. elliottii

Particulados (aglomerado, OSB, waferboard): P. taeda, P. oocarpa, P. pinea, P. palustris, P. pinaster, P. patula, P. caribaea, P. chiapensis, P. maximinoi e P. tecunumannii

Postes: P. palustris, P. pinea e P. taeda

Resina: P. taeda, P. elliottii, P. tecunumanii, P. caribaea var hondurensis, P. caribaea var bahamensis, P. pinaster, P. sylvestris, P. oocarpa, P. kesiya, P. merkusii, P. patula, P. montezumae, P. palustris, P. ponderosa, P. roxburghii, P. pseudostrobus, P. leiophylla, P. montezumae, P. hartwegii e P. echinata

Serraria: P. taeda, P. elliottii, P. palustris, P. patula, P. oocarpa, P. maximinoi, P. caribaea var hondurensis, P. caribaea var bahamensis, P.caribaea var caribaea

Espécies de Pinus indicadas em função do clima

Equatorial: P. caribaea var hondurensis, P. caribaea var bahamensis, P.caribaea var caribaea, P. maximinoi e P. oocarpa

Tropical Brasil Central: P. caribaea var hondurensis, P. caribaea var bahamensis, P.caribaea var caribaea, P. oocarpa, P. tecunumanii, P. maximinoi, P. patula, P. montezumae, P. kesiya, P. pseudostrobus, P. wallichiana, P. taeda e P. elliottii

Tropical Zona Equatorial: P. caribaea var hondurensis, P. caribaea var bahamensis, P.caribaea var caribaea, P. maximinoi e P. oocarpa

Teperado: P. taeda, P. elliottii, P. patula, P. echinata P. montezumae, P. virginiana, P. radiata, P. kesiya, P. wallichiana, P. maximinoi, P. chiapensis, P. hartwegii, P. leiophylla, P. pinea, P.pinester, P. sylverstris, P. greggi, P. roxburghii, P. strobus, P. palustris, P. merkusii e P. ponderosa

Espécies de Pinus indicadas em função do solo

Argilosos: P. caribaea var hondurensis, P. caribaea var bahamensis, P.caribaea var caribaea, P. taeda e P. tecunumannii

Textura média: P. kesiya e P. elliottii

Arenosos: P. maximinoi, P. pinaster, P. hartwegii, P. leiophylla, P. maximinoi, P. elliottii, P. taeda, P. caribaea var hondurensis, P. caribaea var bahamensis, P.caribaea var caribaea e P. tecunumannii

Hidromórficos: P. elliottii, P. contorta, P. palustris, P. taeda, P. tecunumanii, P. chiapensis e P. caribaea var hondurensis

Distróficos: P. elliottii

Bibliografia

AGROPAUTA. PINUS: Qual o potencial dessa madeira para o Brasil. http://www.agropauta.com.br/miudos.asp?todo=id&id=67. Consultado em 19/12/2005.

BALLARIN,A.W.;PALMA,H.A.L. Propriedades de resistência e rigidez da madeira juvenil e adulta de Pinus taeda L. Rev. Árvore, vol.27 no.3 Viçosa May/June 2003

CARGNIN,O. Alternativas das florestas de pinus. Disponível em: http://www.valeverde.org.br/html/clipp2.php?id=3752&categoria=Biodiversidade. Consultado em 28/09/05.

IWAKIRI, S.; SILVA, J.R.M.; MATOSKI,S..L.S.; LEONHADT,G.; CARON,J. Produção de chapas de madeira aglomerada de cinco espécies de pinus tropicais.

LOETZ,C. Vai faltar Pinus. http://an.uol.com.br/2003/abr/19/0loe.htm. Consultado em 19/12/2005

KRONKA,F.J.N.; BERTOLANI,F.; PONCE,R.H. A cultura do Pinus no Brasil. São Paulo: Sociedade Brasileira de Silvicultura, 2005

SHIMIZU,J.Y.;MEDRADO,M.J.S. Cultivo do Pinus http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Pinus/CultivodoPinus/index.htm. Consultado em 07/01/2006.

TOMASELLI,I. A industria de painéis no Brasil e no mundo: tendências de mudanças do perfil de produção e usos. In: SEMINARIO INTERNACIONAL DE PRODUTOS SOLIDOS DE MADEIRA DE ALTA TECNOLOGIA, 1, Belo Horizonte, 1998. Anais. Belo Horizonte: SIF/UFV, 1998, p.55-64.

VITAL,B.R. Propriedades da madeira de Pinus elliottii. Revista da Madeira, nº 89 - ano 15 - abril de 2005. http://www.unesp.br/noticias/130804c.php. Consultado em 07/01/2006.

http://www.expressao.com.br/300/anuarios_eletronicos/anuario2005/conteudos/prod_florestais.htm. Consultado em 19/12/2005.




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