A importância da adubação no plantio florestal

Paulo Henrique Müller da Silva
Engenheiro Florestal - IPEF
Atualizado em 25/08/2005

A adubação consiste em aumentar a disponibilidade de nutrientes, principalmente na fase inicial de desenvolvimento da floresta, muitas vezes corrigindo deficiências existentes no solo ou na planta. É de grande importância para o crescimento das árvores e para a sustentabilidade do ecossistema florestal ao longo dos ciclos de corte, pois repõe parte dos nutrientes exportados com a colheita. Por esses motivos pode se afirmar que a adubação é importante, principalmente para florestas de rápido crescimento que tendem a ter melhor resposta à adubação e ciclos mais curtos, ou seja, maior capacidade de absorver e de exportar nutrientes.

A prática de adubação acarreta em custos para o produtor, pois existe a necessidade da compra dos insumos e da contratação de mão-de-obra para a sua aplicação, o que corresponde, aproximadamente a 35% do valor total da implantação (adubação completa) e por esse motivo muitos produtores ficam em dúvida sobre adubar ou não o plantio florestal.

Na Estação Experimental de Ciências Florestais, localizada no município de Itatinga, pertencente ao Departamento de Ciências Florestais da ESALQ/USP, foram implantados dois experimentos, com Eucalyptus grandis, em solos distintos nos quais se obteve a produtividade do plantio de eucalipto, aos 6 e aos 7 anos de idade, sem aplicação de qualquer tipo de adubo e com a adubação completa (calagem + adubação de base + adubação de cobertura). Esses experimentos possibilitaram observar a diferença de produtividade existente devido à adubação, pois em ambos utilizaram o mesmo material genético e manejo que estavam adequados as condições locais.

Solo de menor produtividade

Nesse solo obteve-se 210 m³ e 304 m³ de madeira aos seis anos de idade para os tratamentos sem e com adubação respectivamente. O aumento de produção foi de 94 m³, ou seja, o tratamento com adubação foi 45% superior ao sem adubação.

Hoje o custo da adubação é de R$ 700,00/ha (35% do custo de implantação) e calculando-se o valor durante o período de seis anos com juros compostos (juros sobre juros), a uma taxa de 12% ao ano, obtém-se o valor de R$ 1.390,00. Para os 94 m³ produzidos a mais se obtêm uma receita de R$ 3.290,00, vendendo a madeira em pé pelo valor de R$ 35,00 o metro cúbico.

Nesse solo, a economia na adubação resultou em perda de R$ 1.900,00/ha, já considerada a taxa de juros de 12 % ao ano.

Solo de alta produtividade

No solo de boa qualidade obteve-se 416 m³ e 506 m³ de madeira aos sete anos de idade para os tratamentos sem e com adubação respectivamente. O aumento de produção foi de 90 m³, ou seja, o tratamento com adubação foi 21% superior ao sem adubação.

Hoje o custo da adubação é de R$ 700,00/ha (35% do custo de implantação) e calculando-se o valor durante o período de sete anos com juros compostos (juros sobre juros), a uma taxa de 12% ao ano, obtém-se o valor de R$ 1.550,00. Para os 90 m³ produzidos a mais se obtêm uma receita de R$ 3.150,00, vendendo a madeira em pé pelo valor de R$ 35,00 o metro cúbico.

Nesse solo, a economia na adubação resultou em perda de R$ 1.600,00/ha, já considerada a taxa de juros de 12 % ao ano.

Considerações Finais

A economia realizada na etapa de formação da floresta, em muitos casos, reflete-se em seu desenvolvimento, o que diminui a receita obtida, sendo importante a aquisição de material de qualidade (sementes, mudas e insumos) e adequado à finalidade e às condições do local que será implantada a floresta, mesmo que gere um custo maior de implantação da floresta. Deve-se também seguir as recomendações feitas por um profissional habilitado, pois no final, o retorno será maior que a “economia” realizada na implantação.




Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais
Via Comendador Pedro Morganti, 3500 - Bairro Monte Alegre
CEP: 13415-000 - Piracicaba, SP - Brasil
Reprodução permitida desde que citada a fonte.